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Crédito rotativo e parcelamento sem juros do cartão podem acabar?

Vinicius Casagrande

Declaração do presidente do Banco Central gerou polêmica e reações de entidades ligadas ao comércio e serviço. Entenda a situação

Os altos juros cobrados pelo crédito rotativo dos cartões de crédito se tornaram a polêmica da vez na área econômica após o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmar que o BC estuda uma forma de acabar com essa modalidade de crédito. A declaração foi feita no último dia 10 de agosto durante uma audiência pública no Senado Federal e, desde então, o tema tem gerado muitas discussões no mercado.

O crédito rotativo é cobrado de quem não paga a fatura integralmente. Em junho, os juros estavam em 437,3% ao ano. Após 30 dias, a dívida é parcelada pelas instituições financeiras. Nesse caso, com juros de 196,1% ao ano. Uma das possibilidades levantadas pelo presidente do Banco Central é extinguir o crédito rotativo, com a dívida indo direto para o parcelamento com juros ao redor de 9% ao mês.

Os juros elevados do cartão crédito estariam relacionados ao risco de crédito para as instituições financeiras. E o parcelamento sem juros foi eleito o grande vilão para isso. “A gente tem um parcelado sem juros, que ajuda muito o comércio, que ajuda muito a atividade, mas que tem aumentado muito o número de parcelas, de três para cinco, para sete, para nove, para onze. Hoje, o prazo médio são 13 parcelas. Então, é como se fizessem um financiamento de longo prazo sem juros. A pessoa que toma a decisão de dar os juros não é a mesma que paga pelo risco, isso gera uma assimetria”, explicou Campos Neto.

As compras parceladas representam cerca de metade dos pagamentos com cartões e movimentaram mais de R$ 1 trilhão no ano passado, o equivalente a 10% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. A possibilidade de acabar ou restringir o parcelamento sem juros nas compras com cartão de crédito tem gerado inúmeras manifestações contrárias.

Nove entidades ligadas ao comércio e serviços divulgaram no último dia 23 de agosto um manifesto defendendo a manutenção do parcelamento sem juros. Segundo as entidades, essa modalidade de pagamento não pode ser associada a uma ideia de irresponsabilidade financeira. “Restringir o PSJ é restringir a competição e privar a população, o varejo e a economia como um todo de uma ferramenta essencial”, afirmam.

Para as entendidas, os pequenos negócios seriam os mais prejudicados. De acordo com estudo da LCA Consultores, caso a restrição realmente avance, geraria um aumento no custo de crédito de 35% e uma retração de até 27% no volume do crédito. O varejo perderia R$ 190 bilhões em vendas, gerando um efeito dominó sobre os outros setores da economia.

O tema ainda deve ser alvo de uma grande e longa discussão no governo, no Congresso Nacional e na sociedade. A Brink’s acompanha de perto toda essa questão, uma vez que oferece diversas soluções para o setor de varejo, como gestão de caixa, conciliação de pagamentos e transporte e guarda de valores.

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